Computadores para as massas

Recebi hoje a notícia que o computador subsidiado que o Governo Federal quer oferecer custará cerca de 1.400 reais. Uma brincadeira do governo, é claro. Só pode ser. Apesar de estar conectado, ser uma configuração interessante etc., não vai ser este equipamento que vai trazer a “inclusão digital”. Aliás, chega a ser ridículo comentar algo desse gênero. Parece que o Governo não tem noção do que está fazendo, oferecendo um computador a mais de mil reais, num país que a renda média é em torno de 500 reais.

Acredito que os únicos beneficiados desse projeto serão as pessoas que já podem fazer aquisição de um computador, além é claro, dos fabricantes, que também já tem seus compradores. Computador parcelado já tem o Computador do Milhão, que é mais máquina, tem mais software e tem uma grande infra-estrutura de suporte por trás. Por favor, não percam seu tempo.

Inclusão digital significa computadores a menos de 600 reais ou em torno disso. Tem que valer o mesmo que um televisor! Será que não é possível “inventar” um computador que tenha componentes mínimos em uma caixa? Basta um monitor pequeno, teclado/mouse USB, um modem, 128MB e um HD mínimo, além de um processador qualquer, que pode ser um Celeron lento. O que pode custar isto? Será que não chega a 500, 600 reais, tendo isenção do Governo? Obviamente, não preciso dizer que o software deve ser ridículo de barato ou até mesmo doado, se não for Software Livre (que atende plenamente as intenções do projeto).

E mais uma vez, teremos disperdício de dinheiro público em nome de políticas de “inclusão”. Estão querendo incluir quem?

Marco Andrei Kichalowsky

Editor-chefe do macnarama.com, é applemaníaco e trabalha com produtos Apple desde 1993. Foi presidente do Brasil Apple Clube durante 10 anos e colaborador da saudosa Macmania e sua herdeira MAC+ até o fim da revista em 2015.

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