Então era um tablete: o iPad chegou

Depois de tanta expectativa, a Apple apresentou o que a maioria dos boatos já apontavam: seu novo produto era um tablete eletrônico, o iPad.

Vejam que não chamei de computador, chamei de tablete eletrônico. Isso porque apesar de ser de fato um computador, o iPad não deve ser encarado como uma máquina de uso geral como vemos os computadores pessoais. Ele é mais um leitor universal de mídias eletrônicas misturado com assistente pessoal. Pensando nisso, a Apple dotou-o de um forte processador 1 GHz de marca própria (obviamente fabricado pela PA Semi) e adaptou o sistema do iPhone para rodar no equipamento. Com isso, ele desempenha bem as funções para as quais foi criado como ler livros eletrônicos e escutar música, mas não é possível realizar trabalhos mais pesados, como “ripar” um DVD enquanto se assiste um filme.

Como a Apple vende, o iPad pretende ser a “melhor maneira de ‘experienciar’ (odeio esse neologismo!) a Web, e-mail, fotos e vídeo”. Senão vejamos; na página do produto vemos os recursos do novo tablete: Safari (navegação Web), correio eletrônico, fotos, vídeos, YouTube, iPod, iTunes, App Store, iBooks, mapas, anotações, agenda de endereços e compromissos. Ora, me parece que isso consegue englobar a maioria das necessidades de um usuário comum com seu portátil (notebooks).

Explico melhor: estes computadores não vendem só para usuários profissionais. Muitos usuários domésticos também compram portáteis (e mais recentemente os miniportáteis — netbooks) porque querem simplesmente acessar seu correio ou ver filmes que baixam da internet. A grande sacada do iPad está em unir estas coisas corriqueiras com o iBooks, o aplicativo para ler livros e outras publicações digitais.

Ou seja, a Apple queria lançar um leitor universal de mídias — um tablete eletrônico — e apresentou um produto “reforçado” com aplicativos de desejo de usuários comuns e dotado de um poder extra: rodar aplicativos já disponíveis para iPhone OS.

Mas já existe algo como o iPad. Basta lembrar da corrida da Microsoft e HP para lançar seu “slate computer”. O que tem então de diferente? Ele se tornará um sucesso?

Infelizmente não tenho estas respostas, mas entendo que a Apple acertou em oferecer:

– um leitor de e-books;
– um leitor de jornais;
– aplicações da suíte iLife e iWork: planilha eletrônica, processador de texto, programa de apresentações, gestor multimídia (fotos, música, filmes), agendas.
– interconexão com Windows e Mac;
– acesso à internet;
– correio eletrônico.

E isso tudo com o que chamo de jeito Apple, uma usabilidade que se traduz em facilidade e praticidade.

Pois é justamente este jeito Apple que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Clique aqui para assistir a palestra de Steve Jobs no evento especial do iPad.

Clique aqui para assistir a apresentação de Jonathan Ive.

PS: o sítio da Apple BR foi atualizado e tem a transcrição traduzida do texto da versão americana, indicando disponibilidade em março. Talvez isso seja verdade para o Brasil, mas não dá para acreditar plenamente.

PS: o professor Eduardo Pellanda também escreveu suas impressões sobre o iPad. Vale a pena ler seu artigo no blog Ubimidia: iPad.

Marco Andrei Kichalowsky

Editor-chefe do macnarama.com, é applemaníaco e trabalha com produtos Apple desde 1993. Foi presidente do Brasil Apple Clube durante 10 anos e colaborador da saudosa Macmania e sua herdeira MAC+ até o fim da revista em 2015.

3 comentários em “Então era um tablete: o iPad chegou

  • 2 de Fevereiro de 2010 em 11:41
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    Bereba, na verdade o iPad é muito mais caro que um netbook nos EUA, com preço anunciado pela Apple de $499 para o modelo mais básico do básico. Por menos que $350 compra-se um netbook completo, com 10 horas de bateria, tela de 10 polegadas, HD de 250 e com início rápido que permite acesso à internet e e-mail em segundos, sem abrir o SO. Até acho que o fator “charme” da Apple conta, mas dizer que é substituto barato de Netbook é forçar a barra.

  • 29 de Janeiro de 2010 em 14:32
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    Será um substituto mais barato, elegante e funcional dos NetBooks, pois na maioria dos casos são usados só para acesso a internet, leitura de ebooks, apresentações, e-mail e correlatos.

    Será um sucesso, principalmente na sua versão 2.0 com “webcam”.

  • 29 de Janeiro de 2010 em 11:52
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    Os tablets que estão no mercado oferecem muito mais que isso, mas custam bem mais caro. E no final, todos que oferecem muito mais que isso oferecem possibilidades demais, afinal, são micros completos, com um sistema operacional completo, enorme, pesado.

    Mesmo levando em conta que dá para “tirar do sono” de forma mais ou menos imediata, a praticidade de uso, e a interface otimizada realmente para cutucar com os dedos, faz uma diferença incrível. Não tem comparação. O iPad é absurdamente mais limitado, mas para o que se propõe a fazer bem feito, é TÃO melhor, que não há como comparar.

    E eu, naturalmente, estou incluído nos que precisam fazer aquelas poucas coisas que ele faz bem, em 90{2924376de9395e8cfc15acd815d9baaef6b6fe70f0a6744e7eb0f6aa07a10724} do meu tempo na frente de uma tela. Os outros 10{2924376de9395e8cfc15acd815d9baaef6b6fe70f0a6744e7eb0f6aa07a10724}, preciso de um computador de verdade, com tela grande, processador porrada e tudo mais.

    Para meu trabalho, que basicamente se resume a responder emails ou escrever novos textos o dia todo, o iPad cai como uma luva para que eu possa fazer isso mesmo estando longe do meu micro “de verdade”. Mesmo com o teclado na tela sendo longe do ideal, pois com certeza é melhor do que o do próprio iPhone, que uso hoje como quebra-galho nestes momentos. A possibilidade de usar um teclado externo resolve a questão de textos mais longos, permitindo que eu efetivamente não precise de um netbook, notebook ou coisa que o valha.

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