Gil Giardelli: iPod é o ícone da socidade imediatista e solitária

Em seu texto periódico, o colunista do IDG Now! Gil Giardelli reclama do isolamento que o iPod causa em seus usuários, declarando o iPod como “grande ícone da sociedade imediatista e solitária”. Diz ele: “Este fenômeno está transformando as grandes megalópoles. O silêncio avança.”

Será mesmo, Gil?
Em primeiro momento, até fiquei curioso em encontrar em seu texto algum estudo ou estatística que confirmasse sua declaração, de certa maneira bastante forte. Porém, não precisei chegar no final para descobrir que obviamente, era apenas uma constatação do crescimento do iPod em substituição ao antigo Walkman. A única diferença é que agora as pessoas podem escolher a programação.

Desculpa, Gil, mas acho um nível de”isolamento” que estás constatando sempre existiu. As pessoas gostam de escutar música há muito tempo. Por isto que o lançamento do Walkman da Sony foi uma revolução: ele possibilitou uma escuta privada, sem atrapalhar as outras pessoas, algo que era impossível até então. Hoje qualquer um pode escutar a altos brados seu pagode ou sertanejo favorito, enquanto eu fico livre desta agressão aos meus ouvidos. As pessoas continuam a gostar de escutar a sua música preferida. Os tocadores digitais só tornaram esta audição ainda mais pessoal, permitindo uma personalização maior. Isto não surgiu com o iPod. Não é um fenômeno recente. Desde o Walkman isto continua se desenvolvendo.

Ah, os fones brancos estão começando a crescer? Bom, daí estamos falando de outro assunto. Posso dizer que achei surpreendente esta constatação. É sinal que mesmo com esta política de preços sem noção, os produtos da Apple fazem o sucesso que merecem no Brasil. Sejam bem-vindos!

Isolamento? Não. Certamente as pessoas não estão se isolando. Para fazer um paralelo contigo, eu escuto meu iPod no passeio no meu bairro, na praça próxima à minha casa, em torno do meu trabalho quando vou almoçar, no ônibus, e em outras dezenas de lugares sem me isolar. Cumprimento a dona da locadora, seu Fulano do armazém da esquina e o meu vizinho. Basta ter um pouco de fraternidade (ou boa educação) para, avistando seu amigo ou conhecido, saudá-lo e perguntar como ele vai. Tudo bem, Beutrano?

E pessoalmente, acredito que o iPod não é a companhia ideal, sabe? Eles são bacanas, mas são objetos. Inanimados, entende? Um cachorro ou um gato são mais agradáveis e interativos. Adote um. Convide-o para escutar música.

Ou os passarinhos na rua.

Só não esqueça de pedir para autos e caminhões ficarem quietos.

Saiba mais
IDG Now!: Os fones brancos do e-solitário

Marco Andrei Kichalowsky

Editor-chefe do macnarama.com, é applemaníaco e trabalha com produtos Apple desde 1993. Foi presidente do Brasil Apple Clube durante 10 anos e colaborador da saudosa Macmania e sua herdeira MAC+ até o fim da revista em 2015.

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